O que aprendemos sobre saúde mental em 2020 e não podemos esquecer em 2021?

18 de dezembro de 2020
por Evelim Wroblewski

Ignorar um problema não faz com que ele desapareça, não é mesmo? E quando o assunto é saúde mental, por exemplo, não dá mesmo para continuar simplesmente dando as costas à realidade.

Nesse contexto, precisamos derrubar os tabus, reconhecer as dificuldades e enfrentá-las. Afinal, os transtornos mentais não são coisas que acontecem somente com os outros. Muito pelo contrário, eles estão presentes na maioria das equipes e, talvez, até mesmo em nós.

Para você ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que 3,6%  da população mundial sofre de algum tipo de transtorno de ansiedade. Mas o problema é ainda maior aqui no Brasil, pois registramos uma cifra de 9,3% da população nessa situação. Ou seja, praticamente o triplo da média mundial.

Ainda de acordo com a OMS, se olharmos para os números da depressão, o panorama por aqui também é preocupante: mais de 11 milhões de pessoas sofrem com este distúrbio, o que representa 5,8% dos brasileiros.

Por isso, é essencial dialogar e procurar soluções para cuidar da saúde mental dos colaboradores. Então, é preciso analisar o que 2020 nos ensinou sobre saúde mental para entendermos como podemos fazer 2021 ser um ano de desenvolvimento acelerado dessa grande tendência.

Os impactos e causas dos transtornos mentais 

As perturbações emocionais têm consequências diretas no ambiente de trabalho. Estima-se que o prejuízo deles para a economia mundial seja de aproximadamente um trilhão de dólares. 

Além disso, quando olhamos para os números do absenteísmo (ausência no trabalho), a média de afastamento por questões emocionais é de quase 7 dias por ano. Muito superior aos 2,2% das faltas relacionadas a outros motivos.

Tudo isso indica que agora é fundamental perceber que a maioria dos gatilhos que acionam esses distúrbios estão relacionados ao ambiente de trabalho. Inclusive, entre os principais motivos que desencadeiam os transtornos, encontramos:

  • Esgotamento dos colaboradores por carga de trabalho excessiva
  • Responsabilidades inapropriadas para as habilidades do funcionário
  • Comunicação falha no ambiente de trabalho e falta de apoio
  • Pouca clareza na delimitação, tanto das funções, quanto dos objetivos organizacionais
  • Gestão ineficiente de mudanças na organização
  • Assédio psicológico e bullying

Então, como você pode ver, a saúde mental não pode mais ser ignorada. É fundamental que as organizações encarem este problema sob uma nova perspectiva e atuem de forma preventiva daqui em diante. 

Nesse sentido, é preciso entender que trabalhadores mentalmente saudáveis respondem melhor aos desafios do dia a dia, são mais eficientes e proativos. 

Afinal, eles se sentem mais motivados a inovar e se engajam mais com iniciativas da empresa. Portanto, contribuem muito mais para o aumento da produtividade e dos resultados.

Saúde mental, problemas emocionais e pandemia

Se o panorama já estava complicado antes, a pandemia da Covid-19 aumentou ainda mais a possibilidade de desenvolver algum transtorno psicológico.

As perturbações causadas pela necessidade de isolamento social iniciaram uma série de mudanças que afetaram nossas vidas em vários aspectos.

Por exemplo, quem estava acostumado a uma jornada de trabalho presencial, precisou rapidamente se adaptar ao trabalho remoto. Mas sem o devido apoio, treinamento e ferramentas, concentrar-se em casa realmente se tornou um desafio para muitos. 

Isso, sem falar nas incertezas criadas pela pandemia. Questões relacionadas à doença, à morte, à possibilidade de perder o emprego e à vulnerabilidade financeira afetaram milhões de pessoas. 

E essas preocupações têm fundamento: nada menos do que 716 mil empresas foram fechadas no Brasil desde que a pandemia começou. Enquanto isso, o desemprego atingiu a marca de 14,1%.

O ano de 2020 mostrou como é importante cuidar do emocional para conseguirmos lidar com nossas novas vidas. Inclusive, uma pesquisa mostrou um aumento de 38% na necessidade de apoio para as demandas de saúde mental. 

Então, é necessário lidar com tudo isso e dar tanta atenção à saúde mental, quanto à saúde física dos trabalhadores.

O que devemos fazer a partir de agora

Se o bem-estar geral da população e dos trabalhadores estão tão afetados pela crise, ficou claro que precisamos incluir ações dirigidas à melhoria da saúde mental dos trabalhadores na cultura das empresas. 

Sintomas como cansaço dos funcionários, irritabilidade, falta de motivação e compromisso com as responsabilidades, perda de memória, entre outros, são um claro sinal para começar a agir. 

Neste sentido, integrar esforços, tanto para prevenir como para identificar precocemente, apoiar e reabilitar os transtornos de natureza emocional, é fundamental. 

Entre as iniciativas que podem ser tomadas, destacamos:

  1. Proporcionar acompanhamento psicológico com um profissional e/ou equipe qualificada
  2. Realizar análises coletivas e individuais e entender quais são os problemas que afetam os quadros da companhia
  3. Implementar um programa de saúde mental para melhorar a qualidade de vida dos funcionários
  4. Capacitar os líderes para que eles possam lidar com as equipes sob seu controle
  5. Oferecer benefícios aos funcionários

Por fim, lembre-se que uma empresa é formada por seus trabalhadores e é preciso dar a devida atenção à sua saúde mental imediatamente. Em 2020, as organizações perceberam que, se não cuidarem de seu pessoal, correm o risco de desaparecerem.

Você pode começar esse processo se aprofundando no tema. Leia também o artigo Como ajudar funcionários que estão com Burnout!

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