O que é ativismo corporativo e como colocá-lo em prática na sua empresa?

Categoria(s): RH
1 de dezembro de 2021
por Larissa Florindo

Recentemente, houve uma manifestação de apoio ao grupo LGBTQIA+ por conta do Dia Internacional do Orgulho LGBT, comemorado no dia 28 de junho.

Você deve ter notado grandes marcas e empresas com avatar das cores da bandeira LGBTQIA+ nas redes sociais publicando conteúdos de apoio à essa minoria. Até o Burger King fez um comercial convidando crianças para falarem sobre a homossexualidade.

Antes da causa LGBTQIA+, empresas e marcas também se uniram em uma só voz para condenar a brutalidade policial contra negros e apoiar a igualdade racial com o movimento #BlackLivesMatter.

O ativismo corporativo nos dias de hoje é quase inevitável. No entanto, frequentemente, muitos negócios participam de ações e demonstram apoio como uma forma de impulsionar o próprio negócio.

Muito além do marketing

Tais empresas se identificam perante o público como inclusivas para impulsionar suas vendas e talvez também para atrair jovens talentos. 

No entanto, esse “ativismo corporativo” é invalidado quando o foco é apenas no lucro e nos likes. 

Embora a opinião pública possa impulsionar o comportamento corporativo e trazer lucros com vários cifrões, se a empresa não tem a preocupação genuína de apoiar e contribuir com a causa, esse tipo de campanha a transforma em uma farsa – e sabemos que toda mentira tem perna curta.

Por exemplo: a empresa apoia LGBTQIA+, no entanto, não tem um funcionário que seja dessa minoria. Um outro exemplo: a empresa apoia a igualdade de gêneros, mas permanece oferecendo salários discrepantes entre os gêneros.

Ainda assim, existe uma vantagem no ativismo corporativo de fachada. Por mais que a empresa faça uma jogada de marketing, o apoio faz com que o assunto vire pauta para discussão. Também pressiona empresas a se envolverem de forma genuína com o processo de (re)formulação de políticas.

Do marketing à realidade

O ativismo corporativo é distinto da responsabilidade social corporativa e ocorre quando as empresas defendem que o governo mude as políticas públicas sobre questões sociais ou morais.

Recentemente, grandes empresas como Amazon, Apple, Coca-Cola, Facebook, Nike e Uber prometeram contribuições para organizações de defesa focadas na igualdade racial e na reforma da justiça criminal. Este é outro exemplo de ativismo corporativo.

Quando se trata de justiça racial, as grandes empresas contribuíram para o comitê de ação política do Congressional Black Caucus e defenderam ações afirmativas no ensino superior junto à Suprema Corte dos Estados Unidos.

Ou seja, o ativismo corporativo é bastante comum. Muitas empresas apoiam os direitos LGBTQIA+, imigração ou igualdade de gêneros e racial, no entanto, ainda há um número baixo de empresas que realmente adotam o ativismo corporativo de forma genuína.

As principais vantagens do ativismo corporativo

Quando altos executivos mostram apoio sobre os direitos LGBTQIA+, justiça racial, dentre outros, toda empresa se engaja na causa e começa a levar ao pé da letra o ativismo corporativo. 

As duas principais vantagens de abraçar o ativismo corporativo são:

Em primeiro lugar, apoiar e praticar uma causa pode causar impacto transformador fora do escritório. Seja criar dias de trabalho voluntário e outras ações que possam ir além do marketing para realmente beneficiar a sociedade.

Em segundo lugar, atrair pessoas diversas e que acreditam nessas causas. O ativismo cultiva um ambiente inclusivo que promove o recrutamento e a retenção de funcionários entre essa força de trabalho diversificada.

Embora seja justo ver com certo “ceticismo” as empresas que se engajam no ativismo mais tarde, os pioneiros, ou seja, aqueles que se engajaram no ativismo corporativo desde o início, estão provavelmente mais inclinados ​​em conseguir uma mudança política.

Vivendo na prática

O primeiro conselho é: não surfe em uma causa sem entendê-la. Ou seja, não entre na moda só para entrar. Procure entender o problema desde a sua raiz e traga luz nos pontos ainda duvidosos e conflitantes para o time. 

Criar workshops, oferecer palestras e ter bate-papo frequentes com pessoas que realmente entendem do assunto, colocam todos os funcionários na mesma página. Ou seja, todos entendem a realidade e a problemática do assunto e também a importância do porquê tal problema precisa ser resolvido.

Se não há entendimento da importância da causa, dos problemas enfrentados e do papel que uma pessoa pode ter para contribuir para que exista direitos de fato mais igualitários e uma justiça social realmente mais justa, não há como engajar o time.

Após trazer luz para o assunto é hora de criar ações e campanhas de dentro pra fora. Se não há diversidade no time, promova-o na primeira oportunidade e torne isso uma prática. 

Crie ações para que o time possa trabalhar um dia em alguma causa. O trabalho voluntário é uma das formas mais especiais e que ajudam tanto quem precisa como quem está ajudando.

O resultado final

Mais do que empresas tentando conquistar clientes ou talvez futuros funcionários através de uma imagem “cool e socialmente aceita”. Às vezes, a empresa precisa se posicionar e responder às demandas que os próprios funcionários pedem.

Portanto, a ideologia do CEO e a pressão dos funcionários são forças ocultas em jogo com o ativismo corporativo. 

Sua empresa não é obrigada a se posicionar publicamente a uma causa ou outra. No entanto, ela deve entender as necessidades atuais e através da sua missão, visão e valores, contribuir para se ter uma sociedade melhor. 

O impacto, num primeiro momento, pode ser pequeno, mas de semente em semente, muitas pessoas podem ser tocadas, seja as que ajudam ou as que são ajudadas a terem uma vida mais digna.

Seja LGBTQIA+, igualdade racial ou de gênero, meio ambiente, direito dos animais ou qualquer outra causa, que o ativismo seja sincero e inclusivo, começando pela empresa.

Deixando de lado a questão de saber se o ativismo corporativo de uma empresa é verdadeiro ou não, se está contribuindo para o mercado e para a sociedade, enxergue como uma tentativa genuína de influenciar os resultados das políticas – corporativas e da sociedade.

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