Nunca peça que seus colaboradores façam essas 6 coisas

10 de novembro de 2021
por Evelim Wroblewski

Sabemos que a gestão de pessoas é um desafio diário. Cada pessoa tem um perfil, cada setor tem uma necessidade, cada dia exige um tipo de abordagem. Não é à toa que o RH precisa se reinventar a cada dia e buscar sempre novas soluções e ferramentas.

Neste ambiente altamente complexo em que vivemos hoje em dia, podem haver confusões sobre o que pode ou não pode. No entanto, há certas coisas que jamais devemos pedir aos colaboradores.

Vamos falar sobre alguns deles? Continue a leitura!

1. Trabalhar a qualquer hora, em qualquer lugar

É verdade que, com a pandemia de coronavírus, nos vimos obrigados a conciliar vida pessoal e profissional no mesmo lugar: nossas casas. E isso gerou muitas facilidades, mas também algumas dificuldades. Dentre elas, a gestão do tempo.

Se, por um lado, estar em casa significa não pegar trânsito, poder acordar um pouquinho mais tarde e fazer o almoço para a família, por outro, é bastante comum vermos pessoas trabalhando pela madrugada ou excedendo as oito ou nove horas diárias.

Com a pandemia, parece que veio a liberdade para falar de trabalho a qualquer hora, do dia ou da noite. No entanto, não exija de seus colaboradores disponibilidade imediata e a qualquer hora, muito menos envie mensagens no WhatsApp, por exemplo, fora do horário de trabalho, mesmo que você diga que eles podem responder depois. Ajude-os a ter uma rotina saudável e equilibrada.

E aqui vão algumas dicas:

Use apps de controle de ponto

Existem vários aplicativos de controle de ponto que podem ajudar a controlar a jornada dos colaboradores em home office. Com a ajuda dessas tecnologias, mesmo que o horário seja flexível, você pode acompanhar a carga horária total trabalhada por cada colaborador.

Assim, fica mais fácil orientar sobre a redução de horas extras ou mesmo readequar a carga de trabalho para não sobrecarregar demais uma pessoa ou área.

Trabalhe por metas ou projetos

A área de tecnologia da informação tem vários cases de sucesso no que se refere ao trabalho por metas ou projetos.

Basicamente, você define as metas e os prazos em conjunto com a equipe e monitora se as entregas estão sendo feitas. Tudo isso independentemente da quantidade de horas dedicadas.

Além de incentivar a produtividade, você empodera os colaboradores para que eles mesmos gerenciem seu tempo e aprendam a priorizar suas tarefas.

2. Falar mal dos colegas

Algumas empresas aproveitam as avaliações de desempenho para estimular os funcionários a comentarem sobre falhas de seus colegas. Mas pedir que os colaboradores façam isso é um maiores erros na gestão de pessoas.

Além de ser um constrangimento desnecessário, gera um clima de animosidade e de competição negativa. A fim de garantir seus empregos, as pessoas se tornam detratoras dos colegas, o que é uma atitude antiética, inclusive.

Em vez disso, busque:

Estimular o feedback permanente

Crie uma cultura de feedback permanente, em que as pessoas se sintam seguras para expressar algo que lhes desagrada. Para que isso se torne um processo positivo para todos, ensine o que é um feedback construtivo. Treinamentos sobre como dar e receber feedback podem ser de grande ajuda aqui.

E, quando um colaborador precisar de um feedback corretivo, lembre-se que isso deve ser feito em particular, sem a presença de outras pessoas.

Promover o diálogo

A comunicação interpessoal é uma das chaves para se evitar um clima organizacional pesado. Nesse sentido, vale a pena investir em ferramentas de comunicação que facilitem o trato pessoal.

Por exemplo, a equipe pode se reunir uma vez por semana, por 30 minutos, para conversar sobre questões de relacionamento ou dificuldades que estejam enfrentando.

3. Ferir seus valores em nome da empresa

Valores sociais, culturais, religiosos, econômicos etc, fazem parte do indivíduo e devem ser respeitados. No entanto, ainda estamos longe de respeitar por completo as diferenças nas empresas, o que é um dos maiores erros na gestão de pessoas.

Nesse sentido, é fundamental entender que, em determinadas situações, uma pessoa ou outra pode não se sentir à vontade em aderir a certos projetos ou ideais da organização.

Para evitar esse tipo de situação:

Fomente a diversidade no ambiente de trabalho

O que torna uma empresa mais rica é a diversidade. Quanto mais pessoas com olhares diferentes você tem em uma equipe, maior é a capacidade de inovação e de ideias criativas.

Além disso, empresas que investem em diversidade têm melhor performance financeira, fortalecem a cultura organizacional e apresentam melhor desempenho no mercado.

Melhore seus processos de contratação

Se, por um lado, a diversidade contribui para o sucesso de uma organização, por outro, ter pessoas com valores incompatíveis com os da empresa pode prejudicar os resultados.

Por exemplo: se a sua empresa valoriza o ser humano em sua complexidade, respeitando as diferenças, e tem um gestor que apresenta comportamentos preconceituosos, está diante de um grave problema.

Primeiramente, porque nunca haverá sinergia na equipe. A produtividade será prejudicada, a rotatividade de funcionários será alta e a retenção de talentos será mais difícil. Até a imagem e reputação da empresa podem ser prejudicadas por isso.

Portanto, para evitar que isso aconteça, é essencial ter processos de recrutamento e seleção que permitam identificar o fit cultural e assim eliminar qualquer brecha que possa levar a uma contratação malsucedida.

4. Espionar a concorrência

É bastante comum termos colaboradores com parentes ou amigos trabalhando em empresas concorrentes. E também é natural que nossa curiosidade fique aguçada para saber quais são as estratégias da concorrência. Mas nunca peça que seus funcionários façam o papel de espiões.

Existem métodos de benchmarking que podem ser aplicados para estarmos sempre um passo à frente dos demais. Prefira essa via, em vez de tentar convencer seus funcionários de que eles precisam captar informações em casa e levar para a empresa.

Faça pesquisas de mercado

O chamado benchmarking competitivo é aquele que nos ajuda a entender a estratégia dos concorrentes e desenvolver uma própria, que seja melhor. Ou seja, não se trata de copiar o que outras empresas do setor estão fazendo, mas de inovar, de ser diferente.

Invista no benchmarking colaborativo

Que tal chamar empresas que tenham alguma prática de destaque para desenvolver soluções em conjunto? Eleja os maiores desafios do seu setor e convide alguns players do mercado para trabalhar em pesquisa e desenvolvimento com você.

Essa é a melhor forma de aprender com os demais e de desenvolver soluções únicas, que beneficiem a todos.

5. Cancelar as férias

Quando um funcionário marca as suas férias, junto com essa decisão, vêm uma série de outras: matricular-se em um curso, fazer uma viagem, passar mais tempo com a família, entre outras.

Ele cria, então, todo um cenário em sua mente. Também faz um planejamento financeiro e de tempo. Muitas vezes, investe dinheiro em compra de passagens, reserva em pousadas etc.

Se a empresa, em cima da hora, resolve que ele não pode mais se afastar de suas atividades naquele período, esse é um erro grave. Assim, só se gera frustração, além de prejuízos financeiros e emocionais.

Você terá um colaborador presente, mas totalmente insatisfeito com a situação. Portanto, salvo situações muito extremas, nunca peça que seus colaboradores cancelem as férias. Atente-se para:

Um planejamento adequado

Férias planejadas com antecedência raramente costumam dar problemas. Sendo assim, faça um planejamento anual. Desse modo, cada pessoa sabe exatamente quando terá seu período de descanso e você pode prever quem ficará no lugar.

Isso vale também para a questão financeira, já que, com uma previsão de férias antecipada, o setor financeiro pode se preparar para fazer o pagamento na data certa, evitando outros tipos de imprevistos.

O bom senso

Se a sua empresa trabalha em um segmento com muita sazonalidade, é essencial conceder férias para as pessoas quando as demandas estão em baixa.

Nem sempre essa medida é muito popular, como no caso do comércio, que tem um movimento mais intenso no final de ano, época em que todos querem viajar.

No entanto, vale a pena negociar com seus colaboradores para que o período de férias seja o melhor possível para ambos. Para tanto, dialogue abertamente e aceite receber sugestões dos próprios funcionários.

6. Trabalhar em condições inadequadas

A segurança no trabalho é fundamental e existem inúmeros dispositivos para assegurar que a empresa cumpra com esse requisito mínimo. Mas existem situações que não são previstas em lei e que podem gerar muitos debates. Não se atentar isso é um erro sério que compromete a boa gestão de pessoas.

É o caso de um funcionário que está se sentindo extremamente doente e que é convocado a estar no trabalho independentemente de sua situação de saúde. Ou, então, alguém que tem uma necessidade específica, como uma cadeira adaptada, e é obrigado a usar o item que está disponível.

Quando a pessoa não se sente bem para o trabalho, é fundamental que você avalie o que pode ser feito na situação. É possível dispensar o funcionário sem prejuízo do salário? Ele poderia compensar as horas de ausência em outro momento? O ideal seria um afastamento de suas atividades por um período maior, recebendo auxílio do INSS?

Para todos esses momentos, o que vale é:

Sensibilidade para compreender a dor do outro

Nunca se falou tanto em gestão de pessoas humanizada. Isso significa desenvolver empatia, sensibilidade, atenção para com os demais. E essa atitude pressupõe que você ouça com atenção a pessoa que está à sua frente e busque formas de ajudá-la. Mesmo que isso não esteja expresso no manual da empresa.

Logo, se você tem um funcionário cujo filho está doente e precisa de atenção durante o dia, que tal liberar esse colaborador para fazer home office por alguns dias?

Se o problema é emocional, que tal ter um convênio com profissionais de psicologia para realizar um atendimento?

Esses pequenos — mas extremamente necessários — cuidados são um diferencial enorme que se traduz em mais engajamento por parte dos colaboradores e mais respeito à sua marca.

Agora que você sabe o que nunca deve pedir aos seus funcionários, que tal transformar a maneira como eles veem a sua empresa? Saiba mais sobre employer branding e revolucione sua gestão de pessoas!

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